sexta-feira, 23 de maio de 2014

A sutileza do futuro

     
   

  Quando nascemos somos condicionados pouco a pouco a planejarmos nosso futuro. Primeiro aprendemos que se não formos a escola seremos como o mendigo que vimos quando passeávamos pela rua. Na adolescência aprendemos que é cedo para namorar, melhor focar nosso pensamento nos estudos para ser alguém na vida. Na faculdade somos pressionados a nos formarmos e conseguirmos um emprego logo. Quando casamos somos pressionados a progredir profissionalmente diante das dificuldades financeiras. Quando temos filhos esperamos que o futuro dele seja diferente do nosso e investimos sem pestanejar na sua formação. Na velhice esperamos que o futuro reserve uma morte tranquila e em um momento oportuno sem sofrimento. 

           A sutileza do futuro consiste nisso, pensamos que estamos progredindo, mas estamos estagnados. Vivemos em função de aspirações que nunca são concretizadas, somos alimentados por anseios que nunca tem fim. O resultado disso é que paramos no tempo, não temos futuro. O futuro não pode ser planejado ou alcançado, podemos fazer previsões básicas, como economizar o necessário, qualificar-se profissionalmente ou quantos filhos eu vou ter, porém nossas previsões nunca acertam 100%.

            O futuro que idealizamos está no nosso presente, está dentro de nós. Idealizamos um futuro de felicidade e realização pessoal quando podemos desfrutar isso agora. Realização pessoal não implica atingir uma meta, quando atingimos uma meta sempre surge outra, felicidade não é algo que vem de fora para dentro, mas o contrário. 

                 Viver é o futuro. Não tente obter um controle sobre algo incontrolável. A idealização do seu futuro pode ser vivida hoje e o futuro como é que fica? O futuro não existe simplesmente porque você não o vivenciou. Porém, fique claro que esse texto tem uma perspectiva estritamente humana não abrange aspectos espirituais, onde os conceitos que eu apresentei aqui mudam de significado. Quero apenas salientar a compulsão do ser humano em planejar ao invés de vivenciar. 

             Parafraseando uma citação de um personagem de uma obra mundialmente conhecida, as pessoas sonham e se esquecem de viver. 


domingo, 18 de maio de 2014

A mudança

       







                  A mudança nunca é bem vinda e quando ela retira um pedaço de você menos ainda.  Nossa primeira reação diante das situações é de que elas são permanentes, não nos preparamos para a mudança, não conseguimos assimilar que as pessoas mudam.
     
                A expectativa é uma arma mortal, ela não se revela a você, ela se apresenta como se fosse alguém bem íntimo e o pior é que ela era. Só experimentamos uma mudança quando expectativas são frustradas, construímos um castelo, cercamos ele com um jardim, enfim criamos um monumento a nossa expectativa só para descobrirmos depois que inevitavelmente teremos que destruí-lo, ele não pode ser permanente.

               Ao lado da mudança vem o desespero. O desespero de ter sido inútil, incapaz de prevê-la, incapaz de lidar com ela. O desespero de não ser ninguém no mundo, de ser um espectador da vida e não um participante, de ser um ouvinte de experiências, mas não ser capaz de experimentar, de se doar sem receber nada em troca.

                 A mudança não é bem vinda porque nos mostra quem realmente somos, não somos inteligentes, não somos imunes, nossa armadura é frágil e insignificante, é como uma pena que facilmente vai embora com o vento, nossa aparente condição de indiferença volta-se contra nós de forma destrutiva e somos levados pela sua corrente.

                Você pode escolher três coisas diante de uma mudança, se revoltar e se explodir de mágoa, fingir que nada mudou e guardar sentimentos que se voltarão contra você ou aceitar passivamente e "desfrutar" sua tristeza. Esta atitude é a mais realista, racional. Irá lhe fortalecer? eu não sei. Irá te levar a um patamar superior? Eu não sei. Irá te fazer feliz? Eu não sei.